quarta-feira, 18 de abril de 2007

Honduras: A civilização maia é misteriosamente fascinante.




Honduras, julho de 2004. As ruínas de Copán foram as primeiras que visitei entre as cidades maias que havia planejado conhecer. Pernoitei na cidade de Copán Ruínas. O albergue ficava a quase 2 Km das ruínas. Claro que fui andando. Lá pela metade do caminho, vi uma mulher caminhando a uns 40 metros na minha frente. Apressei o passo para não seguir caminho sozinho. Ao me aproximar, notei que parecia uma asiática. Pensei que ela não falasse espanhol. Mesmo assim, usei o idioma para perguntar se ela estava indo para as ruínas. Ela entendeu e respondeu na mesma língua. Fomos juntos. Conversamos muito e percorremos a antiga cidade maia, lado a lado, Haruko Omura e eu.

Claro que estava interessado em conhecer a maior quantidade de locais e objetos que estivessem ao meu alcance. E assim procurei fazer, junto à minha companheira de momento, a sorridente japonesinha. Mas eu fui com a idéia fixa de que não poderia deixar de ver o templo de Rosalila. Ela também queria muito vê-lo. Estava no seu guia. Japonês que é japonês não deixa escapar nada do que o guia indica. Exagero à parte, é mais ou menos esta a impressão que me passa o pessoal deste simpático povo asiático a cada vez que cruzo com alguém de lá.

Vimos o templo e quando íamos entrar no túnel para visitar parte do caminho subterrâneo que levava ao seu interior, percebi que havia comprado o ingresso que dava direito a quase tudo, menos a entrar naquele local. Então resolvi esperar na entrada até que a pequena nipônica fizesse a visita. Quando me viu ali parado, o guardo veio falar comigo. Bastou eu dizer que era brasileiro, ele abriu um largo sorriso e falou no baile que minha seleção havia dado na rival dele (O Brasil havia vencido a Costa Rica por 4 a 1). Perguntou se eu não entraria com minha amiga. Eu disse que estava sem ingresso. Isso não foi problema para um brasileiro disposta a conversar sobre futebol. A convite dele, acompanhei a japonesinha sem pagar aquela parte do ingresso.

À noite voltei a me encontrar com a japonesinha. Fomos jantar e escutar música num bar. Foi divertido. Haruko deixou minha mente prazerosamente habitada por aquela imagem de um sorriso fácil, de uma garotinha de uns 25 anos com muita vontade de falar, mas sobretudo de ouvir. Ela me contou que aprendera espanhol durante trabalhos voluntários pela Cruz Vermelha na América Latina, principalmente Nicarágua. Ouvi-la me fez lembrar dos filmes que traduzem as falas dos japoneses, tanto para o português como para o espanhol, e sempre trocam a letra R pela L. Não é que eles falam meio assim mesmo?!

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