segunda-feira, 4 de junho de 2007

Colômbia: Um dia inesquecível em Santa Marta




Após dois intensos dias em Cartagena, aluguei um carro e segui de madrugada para Santa Marta, a primeira cidade fundada na Colômbia. Ela é conhecida pelas praias e pela Serra de Santa Marta, próxima à fronteira com a Venezuela. Assim que cheguei, telefonei para José, um médico anestesista nascido naquela cidade, radicado em Teresópolis (RJ) há oito anos. Um colombiano quase brasileiro. Nos conhecemos no vôo entre São Paulo e Bogotá e ele gentilmente me convidou para conhecer sua cidade. Ele me informou o telefone da casa de sua irmã, onde ficaria por uma semana.

A viagem foi quase tranqüila. A chuva não muito forte atrapalhou pouco. O que eu não esperava mesmo era um policial me parar na rodovia. Ele me olhou com cara de desconfiado, fez muitas perguntas, revistou bagagem e tentou achar alguma coisa para me complicar. Tive sorte, o cara acabou desistindo de encontrar algo errado e me liberou. A chegada em Santa Marta foi um pouco atrapalhada. Havia mais de uma entrada e eu cheguei a me perder, mas logo achei o caminho que me faria chegar ao centro.

Estacionei próximo à praia no centro da cidade e meu mais novo amigo colombiano foi me encontrar. Fomos a uma praia particular em companhia de sua irmã e de uma sobrinha adolescente. Passamos uma tarde maravilhosa, com direito a ver papagaio, tomar banho de piscina e de mar, deitar numa deliciosa rede sob agradáveis árvores, além de comer muito bem no restaurante também exclusivo do clube privado.

Fim de tarde, veio a despedida. Meu amigo colombiano, José, é uma das pessoas mais educadas, tranqüilas e polidas que tive o prazer de conhecer. Daquelas que estão sempre preocupadas com o bem estar de quem está ao seu redor, principalmente quando se trata de um convidado. Entrei no meu carro alugado e segui para Barranquilla. Estava chegando a hora de encontrar Cláudia.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Colômbia: Cartagena de Indias é história viva




Saí de Bogotá e depois de uma hora e meia de vôo pela Avianca estava em Cartagena. Do aeroporto até o centro antigo, dividi o táxi com um padre colombiano cujo irmão morava em Fortaleza. A igreja ficava bem próxima ao albergue que eu procurava, mas o sacerdote não hesitou em determinar a um de seus fiéis que me acompanhasse até a porta da hospedagem. Cidade linda, praia nem tanto. O que valeu, e muito, foi exatamente o local que circundava o albergue, onde era possível caminhar até de madrugada no interior daquela grande muralha que abrigava a cidade construída em 1533.

Em Cartagena de Índias ficava o porto que escoava a riqueza das Américas rumo a Espanha. Lá também ficava a sede da Santa Inquisição. Voltando a comentar os momentos de conversa com aquele padre durante o trajeto no táxi, não poderia deixar de mencionar as coisas que me passaram pela cabeça e que obviamente não poderia falar ao religioso. A primeira foi o fato de estar tranqüilo quanto a dividir o táxi com ele, pois dificilmente um sacerdote me passaria a perna e seguramente me daria informações fidedignas.

Veio também a lembrança de que eu estava num poderoso centro regional da Santa Inquisição e eu poderia ser queimado numa fogueira ou receber outra condenação qualquer. Claro que este temor não chegou a se instalar em mim, apenas pensei nele ao me remeter por algum instante ao passado e imaginar como eu seria tratado naquela época. Ainda bem que nasci na segunda metade do século XX... ao menos no que diz respeito a possíveis condenações por heresia.

Cartagena é linda e o albergue que escolhi, fantástico. Curti muito a cidade chamada de “A Heróica” por Simón Bolívar, o libertador. Uma das primeiras coisas que fiz, que pode até parecer ridículo, foi ir à praia e me sentar à beira do Mar do Caribe para que algumas colombianas me transformasse num autêntico rastafari. Claro que estou brincando, porque o fato de deixar o cabelo próximo aos seguidores deste movimento não significa nenhuma autenticidade, principalmente porque rastafari é muito mais do que um modismo estético.

Rastafari é um movimento político e religioso, originário do culto jamaicano que reverencia o imperador etíope Haile Selassie I. Influenciado por ativistas negros da década de 1930, principalmente Marcus Garvey, o movimento combina elementos das religiões africanas, narrativas bíblicas e cultura afro-caribenha. Seus adeptos acreditam que os negros são as tribos perdidas de Israel, que serão redimidas com o retorno à África. O movimento não tem igreja nem clero, e a prática ritual é espontânea.

Então, lá estava eu, no Caribe, com cabelos em tranças. Fiquei satisfeito em realizar um desejo antigo, mas dez dias foram suficientes. Acho que cabelos em tranças não combinam muito comigo. É viagem que segue...