sábado, 7 de julho de 2007

Puerto Madero






Julho/2007 – Buenos Aires (Argentina)

La Boca 2





…mais um pouco da parte bonita de LA BOCA!

La Boca






Julho/2007 - Buenos Aires (Argentina)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

A Argentina também entrou no Reino de Deus


Sábado, 30 de junho de 2007, fim da tarde. Ainda no primeiro dia em Buenos Aires, tentava me localizar. Estava parado na esquina da Avenida Corrientes com a 9 de Julho. Passei uns minutos olhando em volta a grandiosidade da cidade. Com um mapa na mão procurava como ir ao Abasto, bairro do museu Carlos Gardel e da casa noturna Azucar, onde se danca salsa. Lá também há um grande shopping center feito em uma antiga construcao, cuja fachada foi preservada.


Bem, logo identifiquei a direção do metrô que eu deveria tomar: linha vermelha até a estação Carlos Gardel. Quando ainda terminava de conferir o mapa, veio alguém me pedir informação. Uma mulher aparentemente com pouco menos de 30 anos me viu com um mapa e achou que eu seria a pessoa ideal para ajudá-la. Ela me perguntou como chegar ao numero 4070 da Av. Corrientes. Olhei mais um pouco o mapa e constatei que ela deveria tomar o mesmo metro que eu e descer na estação Medrano, uma depois da Carlos Gardel. Fomos juntos.


Paula veio de uma cidade do interior, distante 160 Km da capital argentina। Pedi para ela repetir o nome da cidade, mas quando chegou a terceira repetição e continuei sem entender, resolvi entrar logo no assunto e descobrir porque ela estava tão tensa, algo entre impaciente e aflita. Ela acabara de chegar a Buenos Aires só para visitar a Igreja Universal , por indicação de um pastor. Paula detesta cidade grande e não se sente bem no meio da multidão.


Se dependesse dela, não viria a Buenos Aires, mas por indicação do pastor veio visitar a ingreja da Av. Corrientes , 4070. Quando eu disse que sou brasileiro ela ficou muito contente. Contou que os pastores não pronunciam bem o castelhano e costumam falar em português. "Não entendo quase nada do que eles falam, mas gosto muito", enfatizou esta argentina com olhar determinado de quem estava se referindo a grandes salvadores do mundo. Se é uma coisa que não falta pelo mundo são messias brasileiros. O que pouca gente esperava seria vê-los mostrar o caminho do reino de deus aos portenhos.


No número 4070 da Av. Corrientes eu nao fui, mas fotografei a bela Igreja Universal da rua Lavalle.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Um papo com a Casa Rosada



30/06/07-Primeiro dia em Buenos Aires। E o primeiro destino não poderia ser outro: a Casa Rosada. Dez horas da manhã, sai do albergue Portal del Sur, na rua Hipólito Hirigoyen, 855. Aliás, vale destacar que é um ótimo lugar para se hospedar. Em menos de cinco minutos de caminhada já podia avistar a tão falada casa de governo da República Argentina. Logo estava na Praça de Maio e, em seguida, diante da dita cuja. Como é costume no Brasil, olhei de cima a baixo, dei volta completa para conhecer os dois perfis e a parte de trás. Foram uns vinte minutos mirando. Ela então me perguntou:
por que você me olha tanto com este ar de não sei o quê?
Não sei... é que você não parece ser exatamente rosada.
Como não?
Esta cor é tudo menos rosa... não é pink, rosa-choque, rosa-bebê, muito menos tem o tom da pantera-cor-de-rosa.
Mas uma coisa voce não pode negar.
O que?
Você ficou vidrado em mim.
Não, isso não...
Como não?
Eu apenas estou tentando entender porque você tem esta cor de sei lá o que.
O que eu quero mesmo é chamar a atencao...
Isso eu já imaginava...
O assédio sobre mim é tanto que a seguranca aumentou por aqui. Até tiveram que cercar tudo a minha volta.
Deu para perceber...
Cada um que ache o que quiser, mas eu sou irreverente, já aguentei todo o tipo de homem e até uma mulher estranha. Dos mais duros aos mais populistas, dos golpistas aos populares...
E parece que há mais uma mulher interessada em você, não é?
Sim... ela viu o marido comigo e não resistiu.
E o que voce acha disso?
Não estou muito preocupada com isso. Todos passam, mas eu fico.
Mas você não se preocupa em andar bem acompanhada?
Olha aqui, meu filho. Olha bem na minha fachada. Você acha que as pessoas vêm aqui para me ver ou para ver quem está aqui comigo?
Realmente... não sei o que dizer...
Então não diga, apenas me olhe.
Está vendo aquele homem vendendo bandeira lá perto da Praça de Maio?
Sim, claro.
Você poderia me fotografar de lá com aquela bandeira maravilhosa em primeiro plano.
Então esta bem... vou fazer isso para massagear ainda mais seu ego.
Aproveita que o sol esta brilhando, isso vai ajudar a iluminar melhor minha beleza.
Pode deixar que vou fazer isso agora. Tchau! Um dia quem sabe eu volto.
Sei que você volta... pelo menos terá vontade de me ver de novo, como acontece com todos que passam por aqui.
Então, até um dia!
Até!
Vou embora sem saber que diabos de cor é essa, mas tenho certeza que a irreverência argentina realmente é única. Dizem que é a cor de uma pedra símbolo da Argentina. Mas há quem diga que é coisa de política, uma mistura das cores dos principais partidos na época da pintura da nobre casa, os brancos e os colorados.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Colômbia: Um dia inesquecível em Santa Marta




Após dois intensos dias em Cartagena, aluguei um carro e segui de madrugada para Santa Marta, a primeira cidade fundada na Colômbia. Ela é conhecida pelas praias e pela Serra de Santa Marta, próxima à fronteira com a Venezuela. Assim que cheguei, telefonei para José, um médico anestesista nascido naquela cidade, radicado em Teresópolis (RJ) há oito anos. Um colombiano quase brasileiro. Nos conhecemos no vôo entre São Paulo e Bogotá e ele gentilmente me convidou para conhecer sua cidade. Ele me informou o telefone da casa de sua irmã, onde ficaria por uma semana.

A viagem foi quase tranqüila. A chuva não muito forte atrapalhou pouco. O que eu não esperava mesmo era um policial me parar na rodovia. Ele me olhou com cara de desconfiado, fez muitas perguntas, revistou bagagem e tentou achar alguma coisa para me complicar. Tive sorte, o cara acabou desistindo de encontrar algo errado e me liberou. A chegada em Santa Marta foi um pouco atrapalhada. Havia mais de uma entrada e eu cheguei a me perder, mas logo achei o caminho que me faria chegar ao centro.

Estacionei próximo à praia no centro da cidade e meu mais novo amigo colombiano foi me encontrar. Fomos a uma praia particular em companhia de sua irmã e de uma sobrinha adolescente. Passamos uma tarde maravilhosa, com direito a ver papagaio, tomar banho de piscina e de mar, deitar numa deliciosa rede sob agradáveis árvores, além de comer muito bem no restaurante também exclusivo do clube privado.

Fim de tarde, veio a despedida. Meu amigo colombiano, José, é uma das pessoas mais educadas, tranqüilas e polidas que tive o prazer de conhecer. Daquelas que estão sempre preocupadas com o bem estar de quem está ao seu redor, principalmente quando se trata de um convidado. Entrei no meu carro alugado e segui para Barranquilla. Estava chegando a hora de encontrar Cláudia.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Colômbia: Cartagena de Indias é história viva




Saí de Bogotá e depois de uma hora e meia de vôo pela Avianca estava em Cartagena. Do aeroporto até o centro antigo, dividi o táxi com um padre colombiano cujo irmão morava em Fortaleza. A igreja ficava bem próxima ao albergue que eu procurava, mas o sacerdote não hesitou em determinar a um de seus fiéis que me acompanhasse até a porta da hospedagem. Cidade linda, praia nem tanto. O que valeu, e muito, foi exatamente o local que circundava o albergue, onde era possível caminhar até de madrugada no interior daquela grande muralha que abrigava a cidade construída em 1533.

Em Cartagena de Índias ficava o porto que escoava a riqueza das Américas rumo a Espanha. Lá também ficava a sede da Santa Inquisição. Voltando a comentar os momentos de conversa com aquele padre durante o trajeto no táxi, não poderia deixar de mencionar as coisas que me passaram pela cabeça e que obviamente não poderia falar ao religioso. A primeira foi o fato de estar tranqüilo quanto a dividir o táxi com ele, pois dificilmente um sacerdote me passaria a perna e seguramente me daria informações fidedignas.

Veio também a lembrança de que eu estava num poderoso centro regional da Santa Inquisição e eu poderia ser queimado numa fogueira ou receber outra condenação qualquer. Claro que este temor não chegou a se instalar em mim, apenas pensei nele ao me remeter por algum instante ao passado e imaginar como eu seria tratado naquela época. Ainda bem que nasci na segunda metade do século XX... ao menos no que diz respeito a possíveis condenações por heresia.

Cartagena é linda e o albergue que escolhi, fantástico. Curti muito a cidade chamada de “A Heróica” por Simón Bolívar, o libertador. Uma das primeiras coisas que fiz, que pode até parecer ridículo, foi ir à praia e me sentar à beira do Mar do Caribe para que algumas colombianas me transformasse num autêntico rastafari. Claro que estou brincando, porque o fato de deixar o cabelo próximo aos seguidores deste movimento não significa nenhuma autenticidade, principalmente porque rastafari é muito mais do que um modismo estético.

Rastafari é um movimento político e religioso, originário do culto jamaicano que reverencia o imperador etíope Haile Selassie I. Influenciado por ativistas negros da década de 1930, principalmente Marcus Garvey, o movimento combina elementos das religiões africanas, narrativas bíblicas e cultura afro-caribenha. Seus adeptos acreditam que os negros são as tribos perdidas de Israel, que serão redimidas com o retorno à África. O movimento não tem igreja nem clero, e a prática ritual é espontânea.

Então, lá estava eu, no Caribe, com cabelos em tranças. Fiquei satisfeito em realizar um desejo antigo, mas dez dias foram suficientes. Acho que cabelos em tranças não combinam muito comigo. É viagem que segue...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Colômbia: Enfim, Bogotá.



Cheguei à acolhedora capital da Colômbia, estrategicamente bem guardada pela arborizada cordilheira. Fazia frio em julho, mas nada inferior a 10 graus durante a madrugada. A vantagem é que o calor humano contrastava bem com a temperatura da cidade. Entre seus sete milhões de habitantes acho difícil encontrar muita gente que não esteja disposta a dar um pouco do seu tempo para prazerosamente receber bem os visitantes estrangeiros.

No confuso aeroporto, tomei um táxi até o albergue, no bairro da Candelária, centro antigo de Santa Fé de Bogotá – nome oficial da cidade. Eu estava hospedado a cerca de dez minutos de caminhada do maior museu de ouro do mundo e do pé do Cerro de Montesserrate, com 3.190 metros e uma imponente igreja católica.

Fui conferir o Montesserrate. Era domingo e muita gente sobe à pé para pagar alguma penitência, promessa ou coisa assim, e assistir à missa na igreja lotada. Meus pecados não eram tantos, então subi de bondinho e desci de teleférico.

Foi só caminhar pela cidade e constatei que estava num país com diversidade, religiosidade, elegância, pressa, desconfiança, simpatia, calor humano, sensualidade e um ar de enigma. Passei quatro ótimos dias na capital para depois visitar Cartagena, de onde alugaria um carro para conhecer Santa Marta e Barranquilla.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Colômbia: vi muita coisa do país antes de chegar lá.


No aeroporto de Brasília o ar seco de julho ainda me deixava respirar expectativa. O ano de 2005 foi um dos mais secos dos últimos tempos no planalto central, clima ideal para o ataque da minha sinusite. Queria sair logo dali para respirar novos ares. Enquanto não chegava a hora de entrar na sala de embarque, eu pensava sobre o que havia lido a respeito de Bogotá, Cali e principalmente Cartagena. Também lembrava das coisas que cheguei a ouvir sobre fazer turismo na Colômbia. Você está louco? Vão pensar que você é traficante. O que tem lá além de cocaína? E por aí vai...

Claro que eu não pensava isso, mas não posso esconder o clima de curiosidade que se formava na minha cabeça, até com uma pontinha de preocupação. Certamente encontraria algo inusitado, muy raro. E a surpresa começou logo na primeira parte da viagem. Ao desembarcar em São Paulo, logo uma mulher tocou suavemente em meu ombro direito e perguntou se eu iria para Colômbia. Achei estranho, mas disse que sim e logo aceitei iniciar uma conversa. Senti que ali havia uma multidão de enigmas habitando uma só pessoa. Entre a pele negra aveludada e o sorriso marfim não seria impossível ver ternura, mas também imaginar planos diabólicos se remexendo atrás daqueles olhos que lembravam jabuticabas maduras.

A conversa começou pelo óbvio. Por que você perguntou se eu vou para Colômbia? Vi a capa do guia turístico, respondeu ela com uma obviedade que eu merecia ouvir. Como não conheço ninguém no Brasil, estava procurando uma pessoa para me falar alguma coisa sobre o país e principalmente sobre Brasília. Você está sozinha? Sim, fui a Brasília escolher uma casa para alugar. Então você vai morar em Brasília? Em setembro eu pretendo me mudar. Que bom, respondi com um entusiasmo que logo em seguida, não sei exatamente porque, tive a impressão de que deveria ser contido. A conversa havia se iniciado pelo óbvio, mas nem tanto. Então ela percebeu que faltava o principal e perguntou meu nome. Eduardo. E o seu? Me chamo Cláudia. Fiquei mudo por um longo tempo que durou quase um minuto. Voltei ao mundo real, mas não sem antes admitir que estava diante da constatação de uma coisa que eu somente conhecia por letra de música, a existência de pérola negra.

Almoçamos juntos. Encontrei alguém que falava mais do que eu, talvez porque tivesse mais coisas para contar. Ela achou logo alguém cuja curiosidade precisava se conter para não tentar ultrapassar aqueles seios que olhavam tão de frente, tão fixamente dentro dos meus olhos, que deixariam encabulado até o maior dos despudorados. Se era alguém disposto a conversar que ela procurava, não teria feito melhor escolha, principalmente porque eu estava ávido por saber mais coisas sobre a terra de Gabriel García Márquez. Aliás, se ele a conhecesse, Macondo não seria a mesma. Para minha sorte, ela estava mais interessada em falar de si do que perguntar sobre Brasília, como havia dito no início.

Chegou a hora do embarque. Assim como de Brasília para São Paulo, a Varig estava pontualíssima para partir rumo a Bogotá. Nossas poltronas não eram próximas, mas bastou um simples pedido e o homem que estava ao meu lado aceitou trocar seu lugar para que Cláudia sentasse perto de mim. Para minha surpresa, ela falava com a intimidade de uma conversa entre melhores amigos. Disse que morava em Barranquilla e tinha uma fazenda de gados, perto de uma cidade chamada Mompós, a umas cinco horas de carro de Barranquilla. Mompós tem cerca de 33 mil habitantes e foi construída no século XVI. Dizem na Colômbia que pouca coisa mudou desde então. Quem já leu Cem Anos de Solidão e conhece Mompós afirma que o lugar lembra muito as descrições de García Márquez sobre Macondo, desde a arquitetura às altíssimas temperaturas.

Ainda a bordo, entre música e cinema, comida, bebida e muita conversa, Cláudia me convidou para visitá-la em Barranquillha. Mesmo tendo a impressão de que ela havia me convidado por educação, esperando que eu respondesse não, aceitei na hora. No aeroporto de Bogotá nos despedimos. Cláudia me passou seu endereço e seguiu de avião para sua cidade. Depois de quase uma hora na fila para entrar oficialmente no país, carimbei meu passaporte e tomei um táxi para o albergue. Chegava a hora de conhecer a Colômbia de verdade.

Em breve...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Nicarágua: ilha de Ometepe fica num lago que tem até ondas.





Nicarágua, julho de 2004. Naveguei pelo lago da Nicarágua para chagar à ilha de Ometepe. Este lago também é conhecido por Cocibolca, nome indígena cujo significado é “mar doce”. Também pudera, pois ele tem uma área de 8.600 Km². A ilha de Ometepe tem 250 Km² e quase 40 mil habitantes. Seu formato lembra o número 8, com um vulcão em cada lado. O Concepción, com 1.610 metros, e o Madeira, com 1.394.

Não pernoitei em Ometepe. Cheguei bem cedo para percorrer alguns lugares interessantes e voltar para San Jorge no mesmo dia e, de lá, seguir para Manágua. Desembarquei em Moyogalpa e praticamente dei a volta na ilha. Tomei um ônibus e fui até a praia de Santo Domingo. A areia era mais branca do que muitas praias que visitei no Caribe. Havia mais ondas do que na praia de Laranjeiras, na cidade catarinense de Balneário Camboriú. Lembrei-me disso porque o pessoal de lá costuma dizer que aquela praia parece um lago. Pode até ser, mas acho que dizem isso porque nunca viram o lago da Nicarágua. Quando o vento bate pra valer, então, quem der bobeira cai do barco. Dizem que até tubarão há nele – seria a única espécie deste peixe que mora fora do mar e teria vindo do Oceano Pacífico pelos 20 Km do rio San Juan.

Fiquei duas horas naquela praia de água doce. Mergulhei. A temperatura da água estava muito agradável, porém não tão boa quanto à da Playa Hermosa, no Pacífico costarriquenho. Almocei num restaurante à beira do lago e logo tomei o ônibus de volta. Teria que enfrentar pouco mais de uma hora de viagem numa estrada cujo terreno seria considerado super radical para uma competição de motocross. Ou quem sabe de bicicross. Falando em bicicleta, este é um importante meio de transporte em Ometepe. Mais do que isso, descobri que ela também é passageira.

O ônibus, que dificilmente atingia os 40 Km/h, fez uma das paradas, em um dos locais nunca identificados para tal finalidade. Em vez de entrar uma pessoa, entrou uma bicicleta. Alguém pagou adiantado o valor de uma passagem e entregou o veículo/passageiro ao cobrador, que o colocou no corredor. Vinte minutos depois, o ônibus parou em frente a uma casa. O motorista buzinou. Esperou um pouco, cerca de um minuto. Uma senhora se aproximou e recebeu a bicicleta das mãos do cobrador. Passageiro entregue no destino, viajem que segue. Saí de lá com a impressão de ter conhecido um pouco do espírito solidário dos habitantes daquela ilha.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Honduras: A civilização maia é misteriosamente fascinante.




Honduras, julho de 2004. As ruínas de Copán foram as primeiras que visitei entre as cidades maias que havia planejado conhecer. Pernoitei na cidade de Copán Ruínas. O albergue ficava a quase 2 Km das ruínas. Claro que fui andando. Lá pela metade do caminho, vi uma mulher caminhando a uns 40 metros na minha frente. Apressei o passo para não seguir caminho sozinho. Ao me aproximar, notei que parecia uma asiática. Pensei que ela não falasse espanhol. Mesmo assim, usei o idioma para perguntar se ela estava indo para as ruínas. Ela entendeu e respondeu na mesma língua. Fomos juntos. Conversamos muito e percorremos a antiga cidade maia, lado a lado, Haruko Omura e eu.

Claro que estava interessado em conhecer a maior quantidade de locais e objetos que estivessem ao meu alcance. E assim procurei fazer, junto à minha companheira de momento, a sorridente japonesinha. Mas eu fui com a idéia fixa de que não poderia deixar de ver o templo de Rosalila. Ela também queria muito vê-lo. Estava no seu guia. Japonês que é japonês não deixa escapar nada do que o guia indica. Exagero à parte, é mais ou menos esta a impressão que me passa o pessoal deste simpático povo asiático a cada vez que cruzo com alguém de lá.

Vimos o templo e quando íamos entrar no túnel para visitar parte do caminho subterrâneo que levava ao seu interior, percebi que havia comprado o ingresso que dava direito a quase tudo, menos a entrar naquele local. Então resolvi esperar na entrada até que a pequena nipônica fizesse a visita. Quando me viu ali parado, o guardo veio falar comigo. Bastou eu dizer que era brasileiro, ele abriu um largo sorriso e falou no baile que minha seleção havia dado na rival dele (O Brasil havia vencido a Costa Rica por 4 a 1). Perguntou se eu não entraria com minha amiga. Eu disse que estava sem ingresso. Isso não foi problema para um brasileiro disposta a conversar sobre futebol. A convite dele, acompanhei a japonesinha sem pagar aquela parte do ingresso.

À noite voltei a me encontrar com a japonesinha. Fomos jantar e escutar música num bar. Foi divertido. Haruko deixou minha mente prazerosamente habitada por aquela imagem de um sorriso fácil, de uma garotinha de uns 25 anos com muita vontade de falar, mas sobretudo de ouvir. Ela me contou que aprendera espanhol durante trabalhos voluntários pela Cruz Vermelha na América Latina, principalmente Nicarágua. Ouvi-la me fez lembrar dos filmes que traduzem as falas dos japoneses, tanto para o português como para o espanhol, e sempre trocam a letra R pela L. Não é que eles falam meio assim mesmo?!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Costa Rica: o Vulcão Arenal foi um ótimo anfitrião




Costa Rica

Era 11 de junho de 2004. Típica tarde de domingo. Tinha até futebol na tv. Fui almoçar às duas horas da tarde. Escolhi um restaurante onde havia televisão, já que no aconchegante albergue que escolhi na cidade de La Fortuna não havia este luxo. Só eu de brasileiro entre cerca de 15 costarriquenhos. Alguns se arriscaram a me provocar, de forma muito cordial e em tom de brincadeira, dizendo que iriam derrotar a seleção do meu país. Como é bom estar num lugar onde as pessoas admiram alguma coisa do seu país, mesmo que seja tão somente o futebol. Não sei bem por que, mas minha autoconfiança nacionalista me dizia que o Brasil venceria com facilidade. Não deu outra. Derrotamos a Costa Rica por 4 a 1, com três gols de Adriano e um de Juan. O jogo valeu pela Copa América, disputada no Paraguai.

Além de torcer para o Brasil marcar mais gols, eu também torcia para que parasse de chover. Assim que terminou a partida, o guia turístico que eu havia contratado passou no restaurante para me buscar. Na van havia livre só o meu espaço. O restante estava ocupado por um grupo de estudantes estadunidenses que viajava para comemorar a conclusão do ensino médio. Não desisti de ir porque já havia pago a caminhada por um parque florestal que culminaria num mirante de onde poderíamos ver derramarem-se as lavas do vulcão Arenal. Andei debaixo de chuva ininterrupta por duas horas. Passado o desconforto inicial causado pelo clima, a caminhada valeu a pena, principalmente pela variedade de pássaros e vegetação. Também ouvi sons fortes e inusitados, produzidos por macacos, segundo informações do guia.

Foi tudo muito bom, não fosse a frustração de estar num mirante e conseguir mirar não mais que uns dez metros. A chuva havia acabado de cessar, mas uma espécie de nevoeiro tomou conta do lugar. Vulcão, nem pensar. Não era possível avistá-lo, o que dizer então da esperança de ver lavas escorrendo de suas bordas? Nada. Estávamos conformados. Faltava ainda a última atração incluída no pacote. Fomos a um local com piscinas de águas termais oriundas de um riacho da região. Dizem que aquela água era fria até 1968, quando uma forte erupção do Arenal mudou a paisagem e a tranqüilidade da região. Uma das mudanças teria sido o aquecimento do riacho, que motivou a construção de vários hotéis e clubes. Às vezes é bom fazer orçamentos e ver se não é vantagem fazer um desses pacotes oferecidos por agências locais para passeios na região. Esse tour valeu muito.

Já não chovia mais. Ficamos quase duas horas imersos na água quente, em piscinas rodeadas por uma bela paisagem. O céu ainda fazia cara feia, mas já nos permitia ver um pedacinho do vulcão. Quando começamos a pegar a estrada para voltar às nossas respectivas pousadas, o guia percebeu que o clima nos faria uma surpresa. Parou a van no acostamento e retornou. Ficamos ansiosos e contentes, mas a incerteza ainda tomava conta do ambiente. A viagem não chegou a cinco minutos. Paramos logo depois de uma curva em leve declive à direita, assim que as paredes de terra pararam de atrapalhar nossa visão. Descemos da van. Olhamos para o outro lado. Lá estava o vulcão. Atravessamos a rodovia. Suspense total.

Esperança total. Fixamos o olhar. Um barulho diferente vinha de longe. Era possível ouvir algumas explosões. O som parecia muito mais distante do que o vulcão. Não víamos lava nenhuma. Eis que de repente pedaços de fogo escorreram pelo morro. Incrível! Fantástico! Pela densidade, lembrava uma cobertura de chocolate que, recém colocada ainda mole, escorria bolo abaixo, pegando fogo.