Costa Rica
Era 11 de junho de 2004. Típica tarde de domingo. Tinha até futebol na tv. Fui almoçar às duas horas da tarde. Escolhi um restaurante onde havia televisão, já que no aconchegante albergue que escolhi na cidade de La Fortuna não havia este luxo. Só eu de brasileiro entre cerca de 15 costarriquenhos. Alguns se arriscaram a me provocar, de forma muito cordial e em tom de brincadeira, dizendo que iriam derrotar a seleção do meu país. Como é bom estar num lugar onde as pessoas admiram alguma coisa do seu país, mesmo que seja tão somente o futebol. Não sei bem por que, mas minha autoconfiança nacionalista me dizia que o Brasil venceria com facilidade. Não deu outra. Derrotamos a Costa Rica por 4 a 1, com três gols de Adriano e um de Juan. O jogo valeu pela Copa América, disputada no Paraguai.
Além de torcer para o Brasil marcar mais gols, eu também torcia para que parasse de chover. Assim que terminou a partida, o guia turístico que eu havia contratado passou no restaurante para me buscar. Na van havia livre só o meu espaço. O restante estava ocupado por um grupo de estudantes estadunidenses que viajava para comemorar a conclusão do ensino médio. Não desisti de ir porque já havia pago a caminhada por um parque florestal que culminaria num mirante de onde poderíamos ver derramarem-se as lavas do vulcão Arenal. Andei debaixo de chuva ininterrupta por duas horas. Passado o desconforto inicial causado pelo clima, a caminhada valeu a pena, principalmente pela variedade de pássaros e vegetação. Também ouvi sons fortes e inusitados, produzidos por macacos, segundo informações do guia.
Foi tudo muito bom, não fosse a frustração de estar num mirante e conseguir mirar não mais que uns dez metros. A chuva havia acabado de cessar, mas uma espécie de nevoeiro tomou conta do lugar. Vulcão, nem pensar. Não era possível avistá-lo, o que dizer então da esperança de ver lavas escorrendo de suas bordas? Nada. Estávamos conformados. Faltava ainda a última atração incluída no pacote. Fomos a um local com piscinas de águas termais oriundas de um riacho da região. Dizem que aquela água era fria até 1968, quando uma forte erupção do Arenal mudou a paisagem e a tranqüilidade da região. Uma das mudanças teria sido o aquecimento do riacho, que motivou a construção de vários hotéis e clubes. Às vezes é bom fazer orçamentos e ver se não é vantagem fazer um desses pacotes oferecidos por agências locais para passeios na região. Esse tour valeu muito.
Já não chovia mais. Ficamos quase duas horas imersos na água quente, em piscinas rodeadas por uma bela paisagem. O céu ainda fazia cara feia, mas já nos permitia ver um pedacinho do vulcão. Quando começamos a pegar a estrada para voltar às nossas respectivas pousadas, o guia percebeu que o clima nos faria uma surpresa. Parou a van no acostamento e retornou. Ficamos ansiosos e contentes, mas a incerteza ainda tomava conta do ambiente. A viagem não chegou a cinco minutos. Paramos logo depois de uma curva em leve declive à direita, assim que as paredes de terra pararam de atrapalhar nossa visão. Descemos da van. Olhamos para o outro lado. Lá estava o vulcão. Atravessamos a rodovia. Suspense total.
Esperança total. Fixamos o olhar. Um barulho diferente vinha de longe. Era possível ouvir algumas explosões. O som parecia muito mais distante do que o vulcão. Não víamos lava nenhuma. Eis que de repente pedaços de fogo escorreram pelo morro. Incrível! Fantástico! Pela densidade, lembrava uma cobertura de chocolate que, recém colocada ainda mole, escorria bolo abaixo, pegando fogo.
4 comentários:
Eduardo, parabéns pelo blog! Fico muito feliz em ser a primeira a acessá-lo e a primeira a postar um comentário. A sua observação sobre o mirante está ótima! E a descrição sobre o momento em que avistou o vulcão? Muito boa! Continue compartilhando as suas boas histórias de viagens. Serei uma leitora assídua. Sucesso!
Parabéns, Eduardo. Gostei muito. O texto está leve e agradável. Coloque as outras viagens. Em breve teremos um livro.
Um forte abraço,
Gutenberg
Meu querido irmão Eduardo,tu sabes como te expressar ! Conforme ia lendo ,as imagens passavam em minha mente como um filme!!!Parabéns tens o dom da escrita!Criativo ,inteligente ,observador !Espero que continues a contar suas aventuras!Beijos e saudades...
Mas hen? O quê não faz o carinho de uma mãe? Incentivo. Legal mesmo. Parabéns. Eu também tenho um blogg, mas não é temático: http://okfase2.weblogger.terra.com.br/index.htm
E aquele vinho, vao rolar?
Abraço
Bido
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